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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

A necessidade do silêncio

"O silêncio é parente muito próximo da compreensão e do respeito pelo outro, e da diferença que nos faz entender que o outro não é e não deve ser o espelho de nós mesmos."
Como não existem coincidências, deparei-me hoje pela manhã com um texto a respeito do silêncio, dele peguei esse trecho para refletirmos. Venho pensado muito sobre o tema. Mais que isso, venho necessitando muito dele, e essa necessidade está tão antiga em mim que tem sido insuportável todo o barulho a minha volta. Pior ainda. O barulho da minha mente e do meu ego. Não é mais um sentir que tem que se esvaziar de todo o barulho da mente, não é mais achar que será melhor, mas um grito da minha alma por qualidade de vida.
Por causa do não silêncio, perdemos grandes momentos com os amigos, com a família e com a nossa porção divina. O barulho do ego sempre nos levando a julgamentos, sempre nos levando a certezas e conclusões. Porque quando não nos permitimos a benevolência do silêncio, damos espaço para a não compreensão e o não respeito pelo outro. Achamos que sabemos, que dominamos os conhecimentos, temos a necessidade da opinião, achamos que somos fracos e perdedores se apenas nos calarmos, temos a necessidade da resposta e não percebemos o mal que causamos a nós mesmos.
Quando nos achamos no direito de julgar o outro, suas razões e seus comportamentos, estamos também exigindo que sejam nossos espelhos, nossos reflexos. Isso é passar da fronteira do respeito pelas diferenças, é querer que os meus desejos sejam colocados em primeiro lugar, porque achamos que o outro deve fazer tudo de acordo com os meus princípios. Desse modo, esquecemos que todos somos um, mas somos também indivíduos únicos, com pensamentos e desejos únicos. Quantos relacionamentos terminam ou são arranhados por causa de simplesmente não sabermos ficar em silêncio. E todos os tipos de relacionamentos sofrem com isso. 
Quando falo do silêncio, não estou apenas me referindo à ausência da fala em si, mas, especialmente, da voz do julgamento. Isso deve ser muito bem compreendido, porque julgamos a todo momento, julgamos atitudes, comportamentos, gestos. Nas palavras de Martin Heidegger nós entificamos, coisificamos. E, como seres humanos inacabados, temos a necessidade de colocarmos o outro numa caixinha, conceituar e colocar rótulos, e com isso vamos nos afastando do mundo por nos acharmos melhor que ele.
Feliz de quem chega num momento em que a necessidade do silêncio é tão intensa que chega a nos fazer mal. É hora de parar e imergir nele. Não é nos ausentarmos da vida cotidiana, mas é sempre que possível retornarmos para dentro de nós mesmos, entrar em contato com a natureza e na meditação como forma de purificar a nossa alma e matarmos o nosso ego.E se algo da vida está fazendo mal, exclua da sua vida, sejam situações, emprego, pessoas, família, amigos. Se forem amigos de verdade, vão compreender a sua necessidade de silêncio.



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