"Diz-se que, mesmo antes de um rio cair no oceano ele treme de medo. Olha para trás, para toda a jornada,os cumes, as montanhas, o longo caminho sinuoso através das florestas, através dos povoados, e vê à sua frente um oceano tão vasto que entrar nele nada mais é do que desaparecer para sempre. Mas não há outra maneira. O rio não pode voltar. Ninguém pode voltar.Voltar é impossível na existência. Você pode apenas ir em frente. O rio precisa se arriscar e entrar no oceano. E somente quando ele entra no oceano é que o medo desaparece. Porque apenas então o rio saberá que não se trata de desaparecer no oceano, mas tornar-se oceano. Por um lado é desaparecimento e por outro lado é renascimento. Assim somos nós. Só podemos ir em frente e arriscar. Coragem! Avance firme e torne-se Oceano!" (O Rio e o Oceano - Osho).
Osho, um dos gurus, filósofos, pensadores que mudaram a minha vida e o meu modo de olhar para o mundo. Posso dizer que ele foi o primeiro a massagear a minha alma, que buscava sem ao menos saber o quê. Encontrei Osho quando ainda estava adormecida na Matrix, li Antes que você morra. Na época foi marcante, mas confesso que sua compreensão real ficou um tanto perdida. Entretanto, era uma semente lançada na minha mente ainda jovem e modelada. Depois de me encontrar com ele, ainda trilhei um caminho adverso. Como conhecer Osho e não despertar? Mas me perdoem, apesar da sede que me secava, ainda mantinha a venda nos olhos, o terreno não estava fértil o suficiente.
Depois disso, andei por vales escuros (da religião e dos dogmas), e não compreendi muito bem o texto acima na época, pensava que Osho estava falando sobre medo e nos incentivando a ter coragem e seguir em frente. De certa forma sim. Porém, o tema desse texto vai muito além, ele fala sobre confiar no Todo e se tornar Ele.
Como?
Somos à imagem e semelhança de Deus (Oceano), quando buscamos a esse Deus - o Todo, a Fonte - estamos fluindo como rios em direção ao que na verdade nós somos. Nos unir a Deus significa ser Ele. É a unificação com o Todo a nossa missão de vida. Somos como o rio que tem que seguir o seu caminho, ele não pode escolher se vai ou não em encontro ao oceano. Ele tem que ir.
Todavia, nós, ao contrário do rio, que segue seu fluxo natural, escolhemos a direção oposta a Deus, isso causa sofrimento, dor, angústia. Por vezes achamos até que é normal se sentir assim, afinal estar no mundo é ter aflições. E por menos que pareça que não estamos distantes de Deus, a verdade é que a humanidade, inclusive cada um de nós, estamos muito longe dele.
Só que não precisa ser assim, de acordo com o texto acima de Osho, o rio flui para onde deve, apesar de deixar tudo o que conhecia para trás, ele segue, passa por montanhas, vales, aldeias, passa por pedras, mas segue. Vai com medo, porque assusta olhar para a grandeza que se pode alcançar. Mas segue. E descobre que ele também pode ser Oceano. Ou seja, ele deixa de ser rio, deixa de ser o que é, e passa a ser outra coisa. O rio passa a ser Oceano.
Assim somos nós. E não adianta muito fugir e tentar adiar, isso só causará dor, pois causa dor tentar ser o que não é. Se somos rios, vivamos como tal; se somos homens, vivamos como tal. Observe, entretanto, que somos homens à imagem e semelhança de Deus, nunca maior que Ele, porém parte dele.
Namaste (O Deus que há em mim saúda o Deus que há em você).
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