Ter uma autoconsciência é ter a capacidade de situar-se fora de si para se conhecer tanto quanto sujeito e objeto de suas experiências, vendo-se a si mesmo o homem que se vê no mundo sem um a priori, sem saber como agir, pensar e sentir. Este modo de estar no mundo faz com que o homem se sinta desamparado e indefeso, precisando de sentido para o que a princípio não há sentido. Este, aliás, só vem através das nossas construções culturais de valores, fruto das nossas interações. É um estar no mundo que se constrói a cada momento e nos coloca em posição de transição, um Ser sendo, fazendo e refazendo o seu caminho a cada experiência.
Nessa posição, o homem pode sair de si e transcender o presente, ressignificar o passado e planejar o porvir. Com isso, ele acaba de descobrir que há muitos caminhos pelos quais ele pode seguir; entretanto, como tudo é transitório e esses caminhos não são garantia de que nenhuma de suas escolhas são serão positivas, isso gera angústia.
A angústia, portanto, é inerente ao existir humano, é ontológico. Nada é garantia de segurança, havendo um sentimento de que sua vida pode a qualquer momento ser destruída, ou que seu mundo, onde ele tem o sentimento de uma suposta segurança, pode ser transformado em nada. Assim, todas as questões afetam o indivíduo autoconsciente. As questões que surgem na vida geram angústia, que vêm dos valores, significados atribuídos pelo ser humano à própria existência.
Desse modo, há uma "porta aberta" para infinitas escolhas, nos trazendo reflexões como "para onde vamos?", "que garantias temos com essa ou aquela escolha?". Como tudo é transitório, somos compelidos a sair da zona de conforto, e isso acontece de instante a instante, às vezes em eventos que se dão de forma muito discreta.
As escolhas certas não existem, nunca há garantia de certo ou errado e não há como não escolher. A angústia vem da incerteza das escolhas e pela abertura de opções que se abrem a nós, fazendo de nós sujeitos fadados a escolher o tempo todo.
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