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segunda-feira, 22 de abril de 2019

O significado do sexo

Uma das coisas mais lindas que existe é o sexo. Infelizmente, a "cultura" e as religiões mataram seu genuíno significado. O sexo é troca e entrega, é estar ali para o outro e o outro para você, e isso não é desprovido de sentido; fazer sexo sem roupas também tem um significado, pois esse ato de ficar nu traz em si a simbologia de que estamos apenas nós na relação (nós - eu e o outro), livre de qualquer impedimento, de qualquer cultura, crenças, livre de qualquer vergonha, pensamento, livre, enfim, dos nossos egos. Neste momento temos a certeza de que no entrelaçamento dos corpos também entrelaçamos nossa alma, nossos sentimentos e emoções; neste momento somos apenas um. 
Buscamos o nosso prazer, porém o encontramos ao dar prazer ao outro. Toda a sua prática passa pela fantasia e ao imaginar a união e a importância que temos nesse ato, nos sentimos únicos e amados.  
Entretanto, fomos levados a acreditar que o sexo é feio, subversivo, algo que tem que ser escondido, que é pejorativo e vulgar. Apenas um prazer terreno e, muitos, acreditam que mundano. Toda a repressão sexual que existiu ao longo dos milênios tem também o seu significado, não é por acaso que tentam até hoje matar o sexo e fazer dele algo banal e sujo. 
Sexo é energia vital, é libido, relacionado em Freud à Pulsão de Vida, energia que impulsiona para a frente, para a ação, é alegria e Amor. Em O assassinato de Cristo, de Wilhelm Reich, o autor diz que matamos Cristo todas as vezes que fazemos sexo apenas pelo prazer do corpo, pois o sexo é muito mais que isso, é energia de vida, e banalizar sua função é nos permitir a morte. Entenda-se, portanto, Cristo como energia vital, a energia que nos permeia desde os órgãos e pele, energia pela qual vivemos e existimos.
Segundo estes significados, vemos o sexo como uma das mais importantes ferramentas tanto para o adoecimento, como para a cura, para o tratamento terapêutico. Sim, pessoas adoecem por falta de sexo ou pela repressão dele alicerçado pela culpa. O que nos importa é o lugar em que nós o colocamos, mas temos que ter sempre o cuidado para não cairmos no senso comum de torná-lo pejorativo.
Se o sexo é energia vital que traz alegria ao ser, sendo comparado por Reich, por Osho, que usa inclusive a expressão do sexo nas páticas meditativas, à expressão de vida, e outros autores também que o veem como tratamento terapêutico, por que alguém teria a preocupação de torná-lo pecado, doença, mundano? A quem incomoda tanto a sua livre expressão a ponto de tornar impuro o que foi criado para ser sagrado? Pessoas foram mortas, torturadas e condenadas por praticá-lo. Isso também não pode ser desprovido de sentido.
A “liberdade de expressão” tão querida e reivindicada na década de 1960 ainda não é uma realidade conquistada por causa da dureza em nós em relação à aceitação do outro e do nosso próprio corpo e das suas necessidades, questão que gira ainda no âmbito da moral. Aceitar a si mesmo como desejante dessa liberdade sem sentir a culpa que nos é imposta sentir, implica aceitar também que o outro sente desejos que são naturais ao ser humano como ser biológico e que também como ser social e cultural necessita expressar no seu corpo o que as regras convencionadas disseram que não era para sentir.
A expressão do sexo deve ser livre, pois é lindo. Claro que me refiro ao sexo feito com cumplicidade, afeto, amor e não ao que acreditemos que ele significa, pois nada é mais perfeito que o momento de intimidade que compartilhamos com alguém nesse ato de entrega.

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